quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A VOCAÇÃO SACERDOTAL NA IGREJA


Entendemos por vocação a resposta à vontade de Deus para cada Batizado. Essa resposta se dá com toda a pessoa (inteligência, coração e vontade) e com toda a vida (presente e futuro). Na origem de toda a vocação está o próprio Deus; é Ele quem toma a iniciativa, quem chama e capacita para a missão. E isto vale, sobretudo, quando este chamamento se direciona especificamente ao ministério sacerdotal.

A vocação sacerdotal encontra o seu fundamento no próprio Cristo, que chamou alguns homens para segui-lo mais de perto. Entre os discípulos de Jesus, destacam-se os doze, com uma posição clara e diferente da dos demais. Essa diferença dos doze apoia-se num fato: são eles os escolhidos, formados, os enviados diretamente por Jesus, numa palavra, os “apóstolos”. Eles possuem o poder que Jesus lhes conferiu, fazem o que Jesus fez, representam-no integralmente. Jesus preparou os doze para continuar sua missão de forma diferente da dos outros discípulos. Escolheu-os mediante um gesto de escolha particular e explícita (Mc 1, 17; 2, 14); distinguiu-os dos demais(Mc 3, 13-19); instigou-os a realizar exercícios preparatórios com vistas ao ministério futuro, que não seria outra coisa senão reproduzir o que o viam fazer (Mc 3,14; 6, 7-13); fez-lhes ver que seu ministério deveria consistir num serviço semelhante ao que ele prestava  (Mc 10, 41-45); tornou-os seus enviados diretos e concedeu-lhes poderes especiais para celebrar a eucaristia (Lc 22, 19-20) e para o ministério da pregação, do perdão dos pecados e do governo dos que acreditam em seu nome (Mt 28, 19-20; Mc 16,15; Jo 20,22-23) e infundiu-lhes o Espírito Santo que os transformou interiormente e os tornou corajosos no exercício do seu apostolado (Jo 20,22; At 2, 4.33).

Jesus Cristo continua chamando, ao pronunciar o nome de seus escolhidos, convidando-os ao seguimento e confiando-lhes a missão. Ele chama na Igreja e para a Igreja aqueles que, como os doze, são eleitos, consagrados e ungidos para um encargo particular e indispensável.Estes são os sacerdotes, os ministros ordenados, que prolongam a presença salvíficade Cristo e sua obra redentora em todos os tempos e lugares, que anunciam sua palavra de salvação até que Ele venha, que administram os bens divinos e que, como Ele,doam a vida por inteiro pela salvação das almas.Os ministros ordenados foram escolhidos para transmitir aos homens esta salvação em Cristo, a qual eles anunciam com a Palavra e celebram com os Sacramentos. Este serviço do sacerdote torna visível o Cristo, como cabeça da Igreja, servidor dos irmãos, presente e atuante no meio deles. A constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, reafirmou que o sacerdote preside a assembleia in persona Christi, ou seja, não só por designação ou delegação da assembleia, nem por seus méritos próprios, mas pela imposição das mãos conferida na ordenação, que selou na sua alma um sinal sacramental.

O Beato João Paulo II em sua exortação apostólica “Pastores dabo vobis” dizia que o sacerdote existe em função da comunidade. Tendo-se em vista aquele caráter cristológico que fundamenta o ministério sacerdotal, devemos também, necessariamente, considerar o ponto de partida eclesiológico ou comunitário que caracteriza a sua essência. Como dissemos acima, a vocação para o ministério sacerdotal tem sua origem no próprio Deus, mas também a própria Igreja chama ao ministério, transformando-se naquela que “é chamada e que chama” (Pastores dabo vobis, 35), lugar do chamado, do encontro e da realização de toda vocação. A Igreja é o lugar por excelência em que todo chamado surge, realiza-se e cresce, sendo portanto mediadora de todas as vocações. Deus chama pessoalmente, é claro, mas na Igreja, pela Igreja e para ser Igreja. Não é a Igreja que está a serviço do ministério sacerdotal, mas é o ministério sacerdotal que precisa estar sempre a serviço da Igreja e da salvação de todos os homens.

Como Igreja, vamos nos unir em oração por todos os sacerdotes do mundo, para que o Senhor Jesus os guarde e os fortaleça na missão. Peçamos ao Senhor da Messe que envie sempre mais operários para a colheita, que sejam dóceis ao Espírito e estejam disponíveis para doar generosamente a vida pela da salvação das almas. Oremos pela perseverança de nossos seminaristas para que nunca percam de vista o desejo de servir e se entregar Àquele que é o autor de sua vocação.

Pe. Alexandre Rodrigues Mothé
Diocese de Campos - RJ

Fontes de Consulta:

  • Bíblia Sagrada;
  • Constituição Dogmática Sacrosanctum Concilium;
  • JOÃO PAULO II. Exortação Apostólica pós-sinodal “Pastores Dabo Vobis”;
  • ALVARIÑO, G. Os que são chamados. São Paulo: Paulinas, 1999;
  • SASTRE, J. Discernimento vocacional. São Paulo: Paulinas, 2000. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário